quarta-feira, 14 de novembro de 2007

SÍNDROME DO PÂNICO

A Síndrome do Pânico é uma doença caracterizada pelo distúrbio dos neurotransmissores serotonina e noradrenalina, possuindo como as-
pecto essencial, os ataques de ansiedade e nervosismo. Os ataques de pânico manifestam-se, via de regra através de períodos discretos de ataques repentinos, de intensa apreensão e medo, frequentemente associados com sentimentos de perigo de destruição iminente. A do-ença atinge pessoas de qualquer classe social, de qualquer profissão, seja na área urbana ou rural. Em 70% dos casos a doença começa a se manifestar entre os 20 e 35 anos uma fase de pleno crescimento profissional.

FATORES PREDISPONENTES

Distúrbio de Ansiedade de separação na infância e a perda súbita de suportes sociais ou interrupção de relacionamentos inter pessoais im-
portantes, aparentemente predispõem o desenvolvimento deste distúr-
bio. Pode-se citar como principais sintomas da doença os seguintes: -falta de ar
-vertigem
-palpitações(taquicardia)
-tremor nos braços e/ou nas pernas
-sudorese
-sufocamento
-náusea ou desconforto abdominal
-despersonalização
-anestesia ou formigamento
-ondas de calor ou calafrios
-dor ou desconforto no peito
-medo de morrer
-medo de enlouquecer
A ocorrência simultânea de quatro sintomas, dentre os acima discri-
minados, é suficiente para demonstrar a existência da doença. É im-
portante ressaltar, ainda, que há ataques de pânico recorrentes várias vezes por semana ou até diariamente e que estes ataques podem ou não ser acompanhados de agorafobia.

AGORAFOBIA: Medo de estar em lugares ou situações nas quais seja difícil sair, ou não haja ajuda disponível na hipótese da ocorrência de um ataque de pânico. Dentre as situações mais frequentes de ago-rafobia, pode-se mencionar aquelas em que o indivíduo está sozinho e fora de casa, ou ainda, numa multidão, em uma fila, em uma ponte, numa viagem de ônibus, trem ou automóvel, etc.

DIFERENÇA ENTRE FOBIA E SÍNDROME DO PÂNICO

FOBIA - Medo exagerado e desproporcional ao estímulo, não conse-
guindo avaliar a realidade da situação. Surgem pensamentos catas-
tróficos e a pessoa sabe que o medo é exagerado, mas não consegue evitar a ansiedade, sendo que quando elimina o estímulo aterrorizante desaparecem os sintomas.

SÍNDROME DO PÂNICO - Não existe estímulo externo, sendo que surgem ataques de pânico independente do lugar e da hora. É um distúrbio de ansiedade, no qual fundamenta-se em base orgânica e psicológica. Freud descreveu a Síndrome do Pânico como Neurose de Angústia em 1894, que apresenta traços de muita tensão e atividade mental associado aos sintomas somáticos como tremores, taquicar-
dia, hiper-ventilação e vertigens... Angústia é uma forma de esperar o perigo ou preparar-se para ele, ainda que possa ser desconhecido.

CARACTERÍSTICAS DA PERSONALIDADE

São pessoas com tendência ao perfeccionismo tendo uma autocrítica muito grande e não se permitindo falhar em nenhum aspecto. Há uma cobrança extrema quanto a execução de atividades corretamente e de certa forma esperando a mesma atitude alheia. Apresentam-se como workaholics com dificuldades para relaxar e centralizadores. Profissionalmente possuem ótima capacidade intelectual, mas deno-
tam dificuldade nos relacionamentos afetivos.

DURANTE AS CRISES: - No momento da crise os pacientes to-
mam tranquilizantes e, posteriormente há uma melhora da crise. A crise desaparece por volta de 05 a 30 minutos, com ou sem os medi-
camentos.
-o tranquilizante, tomado por via oral ou intramuscular leva de 40 a 60 minutos para surtir efeito, donde se conclui que, o efeito do medica-mento se dá no momento em que a crise já cessou.
-o tranquilizante ajuda na fase pós crise, relaxando o paciente justa-
mente no período de mais necessidade, já que ele fica ansioso, can-
sado e com medo de que a crise volte. -o controle das crises pode ser obtido mais ou menos dentro de 02 a 04 semanas com uso de medi-
camentos.
-somente após o bloqueio das crises é que se deve estimular o pacie-
nte a enfrentar de forma progressiva as situações temidas.
- quando a pessoa estiver no meio de uma crise, inspire pelo nariz e conte até quatro depois expire pela boca e conte novamente até qua-
tro. Repita esse movimento várias vezes até a sensação de tontura passar.
- pode ser feito um relaxamento autógeno ou qualquer outro tipo de re-
laxamento para que o paciente consiga um auto controle sobre o seu físico, pois após a crise há um desgaste emocional e físico muito grande.
- é importante desviar a concentração da mente para situações agra-
dáveis ou conversar com alguém para ajudar nesse processo.
- o familiar que estiver acompanhando o tratamento deve deixar o pa-
ciente sem tensão ou cobrança, pois nesse momento o próprio pa-
ciente fica em desespero para que volte ao normal. O ambiente fami-
liar deve ser propício para que isso aconteça. - o paciente não precisa sentir vergonha dessa fragilidade, pois a maioria das pessoas sentem as mesmas aflições.

COMPLICAÇÕES DA SÍNDROME DO PÂNICO
Com a repetição das crises podem surgir algumas complicações tais como: hipocondria; fobias associadas direta ou indiretamente com as situações nas quais teve a crise; ansiedade basal; ansiedade de ante-
cipação; agorafobia; auto depreciação e desmoralização; depressão; alcoolismo e/ ou abuso de drogas.

ANSIEDADE BASAL
Tensão muscular; dores provenientes da tensão; dificuldade para rela-
xar, sendo que o paciente fica sempre em alerta esperando uma nova crise; intolerância a barulho; impaciência; irritabilidade; agressividade verbal; insônia; fadiga no final do dia.

ANSIEDADE DE ANTECIPAÇÃO DA CRISE
O paciente pode associar a crise aos locais onde as teve, criando um condicionamento e, dessa forma sente-se ansioso podendo até ter crises de pânico quando se confronta fisicamente com a situação.

EVITAÇÃO FÓBICA
Cada vez que o paciente tenta enfrentar uma situação fica mais ansio-
so, chegando ao ponto de ter a crise de pânico. Quanto mais se evita uma situação, mais receio dela se vai adquirindo.

HIPOCONDRIA
Uma preocupação excessiva com a saúde física, o que se nota pelo fato da pessoa observar com mais frequência suas funções, em par-
ticular a cardiovascular. O paciente começa a acreditar que deve haver algo muito sério com sua saúde física, algo que os médicos e exa-
mes não são capazes de detectar ou então estão lhe escondendo.

FOBIAS
Associadas direta ou indiretamente com as situações nas quais teve as crises. Como a crise de pânico não escolhe lugar nem hora, a ten-
dência é ir ampliando progressivamente as fobias ou a ter medo de praticamente tudo.

AUTO DEPRECIAÇÃO E DESMORALIZAÇÃO
As limitações impostas pelo estado fóbico-ansioso comumente levam a outras complicações, tais como: sentimentos de auto depreciação e desmoralização. Há queda de qualidade de vida do paciente e da fa-
mília, além do sentimento de responsabilidade pela doença e por uma hipotética falta de força de vontade para superar o problema.

DEPRESSÃO
Pacientes com pânico e suas complicações podem desenvolver de-
pressão, a qual é reativa as limitações fóbicas ansiosas impostas à vida do indivíduo. Essa depressão é secundária e ela desaparece quando o paciente melhora do pânico.

GRAVIDADE DO EVITAMENTO AGORAFÓBICO

LEVE: Algum evitamento, mas estilo de vida relativamente normal, por exemplo, viaja desacompanhado quando necessário, tal como a trabalho ou a compras.
MODERADO: Resulta num estilo de vida restrito, por exemplo, a pessoa é capaz de deixar a casa sozinha, porém, somente consegue percorrer alguns quilometros desacompanhada.
GRAVE: Por evitamento, resulta em estar parcial ou completamente restrita à casa ou incapaz de sair desacompanhada.

GRAVIDADE DOS ATAQUES DE PÂNICO:

LEVE: Durante o último mês, ou todos, ou não houve mais do que um ataque de pânico.
MODERADO: Durante o último mês os ataques foram intermediários entre ataques leves e graves.
GRAVE: Durante o último mês houveram pelo menos oito ataques de pânico.

AS CONSEQUÊNCIAS DA SÍNDROME DO PÂNICO AFETAM TRÊS ÁREAS:

ECONÔMICA: Os gastos excessivos com médicos e exames são dispensáveis, exceto o ecocardiograma . Este exame revela que 30% dos pacientes com pânico possuem uma alteração benigna chamada Prolapso da Válvula Mitral. Outro prejuízo econômico são as faltas e os afastamentos do trabalho em auxílio-doença e, às vezes inter-
nações em UTI ou clínicas e hospitais psiquiátricos sem nenhum be-
nefício. Podem ocorrer recusas de promoções por falta de segurança e desmoralização, ou pedido de demissão e dispensa por causa da agorafobia.

SOCIAL:O paciente se restringe ao seu convívio familiar, recusando os convites sociais e, por outro lado, os amigos vão se afastando em virtude das dificuldades de relacionamento que o paciente vai adqui-
rindo com a ocorrência sucessiva das crises.

FAMILIAR: Após várias consultas médicas e exames mostrando que o paciente não tem aparentemente nada, os familiares acham que tu-
do não passa de falta de força de vontade ou talvez consideram res-
ponsabilidade do próprio paciente a superação do problema. Como às vezes o paciente só sai ou faz algo acompanhado pode tolher-se a li-
berdade da pessoa de quem se depende, trazendo aborrecimentos e gerando dificuldades de relacionamento conjugal ou com a família.

FORMAS DE TRATAMENTO

PSIQUIÁTRICO - Há necessidade de medicação para equilibrar os neurotransmissores.
Os quadros em que as pessoas apresentam a ansiedade como princi-
pal fator a caracterizar sua patologia são denominados Transtornos
Ansiosos e os principais são:

Transtorno do Pânico
Fobia Simples
Fobia Social
Transtorno Obsessivo-compulsivo
Estado de estresse pós traumático
Ansiedade generalizada
Distúrbio Misto depressivo - ansioso

Em nosso caso iremos dar destaque ao TRANSTORNO DE PÂNICO
(TP): caracteriza-se pela presença de ataques de pânico recorrentes e
inesperados, seguidos de pelo menos 1 mês de preocupação persis-
tente acerca de ter outro ataque, preocupação com as possíveis impli-
cações ou consequências dos ataques, ou uma alteração ccomporta-
mental significativa relacionada aos ataques.
Devem ser excluídos outros transtornos psiquiátricos, uso de drogas,
ou outra condição clínica.


TRATAMENTO CLÍNICO - Devido aos comprometimentos que o transtorno do pânico trás a seus portadores é muito importante que se
ja instituida uma conduta terapêutica adequada. O tratamento poderá,
em muitos casos deverá, ser realizada através de medicamentos e de psicoterapia.
Os medicamentos mais úteis no tratamento do TP são os anti-depres-
sivos. Geralmente, em doses baixas eles são capazes de bloquear os ataques de pânico, revertendo suas consequências e permitindo a re-
tomada das atividades do paciente. Uma porcentagem significativa dos pacientes apresentam uma piora dos sintomas ansiosos, com pio
ra dos ataques, ao iniciar o tratamento com anti-depressivos. Essa
resposta ao início da medicação tende a desaparecer após alguns di-
as de uso do medicamento, não constituindo motivo para abandonar o
tratamento farmacológico. Medidas como iniciar com doses baixas de
antidepressivos reduzem o risco desse tipo de reação inicial.
Atualmente dispomos de diversos antidepressivos no mercado, que po
dem ser utilizados com sucesso no manejo dos pacientes com TP.
São eles:
Antidepressivos Tricíclicos (ADT): Clomipramina (Anafranil); Imipra-
mina (Tofranil).
Apesar de drogas bastante eicazes no controle dos ataques de pâni-
co, apresentam muitos efeitos colaterais (boca seca, sudorese, obsti-
pação intestinal, retardo ejaculatório, e ganho de peso, entre os prin-
cipais) que podem fazer o paciente abandonar o tratamento.
Inibidores Seletivos da Recaptura da Seratonina (ISRS): Fluoxetina
(Prozac, Eufor, Daforin, etc), Paroxetina (Aropax), Sertralina (Zoloft,
Sercerim) entre outros.
Medicamentos mais novos que por atuarem especificamente sobre o
neurotransmissor serotonina acabam tendo poucos efeitos colaterais
sobre o organismo dos pacientes. Mesmo assim algumas pessoas
tendem a reclamar de dor de cabeça (transitória), náuseas, dor de es-
tômago e vômitos (transitório) e perda de libido.
Inibidores da Mono Amino Oxidase (IMAO): Tranilcipromina (Parna-
te), Fenelzina, Moclobemida (Aurorix).
Alguns pacientes se beneficiam do uso de IMAOs, porém tirando a Moclobemida, o manejo terapêutico das outras drogas dessa família não é simples, para quem não esta acostumado, pois são necessari-
as várias restrições alimentares, não podendo, também associar essa
droga com diversos medicamentos.
Normalmente o efeito benéfico dos antidepressivos se faz presente a-
pós uma a duas semanas de uso dessa medicação. Mesmo estando
bem, tendo voltado ao estado normal, o paciente deve manter o uso da medicação por um período de aproximadamente um ano, para redu
zir o risco dos ataques voltarem após a descontinuação da medicação
Apesar de todo o medo que as pessoas têm em relação ao uso desse
tipo de medicação (ficar dependente,mudar seu jeito de ser, fazer coi-
sas sem saber, ficar "dopado"), seu uso é bastante seguro quando o-
rientado por um psiquiatra experiente.
Além do uso de antidepressivos, é muito comum a utilização de ansio
líticos que são conhecidos como Benzodiazepínicos: Al;prazolan(Fron
tal, Clonazepan (Rivotril), Diazepam (Diempax, Valium, etc.).
Apesar de muito utilizados, os resultados obtidos tendem a ser parci-
ais, pois conseguem combater alguns sintomas da cride que esta a-
contecendo, mas não impedem o aparecimento de novas crises. Além disso tendem a deixar o paciente sonolento, sem contar o risco de levar o paciente à dependência. Não devem ser utilizados por longos
períodos de tempo, pois o organismo tende a se acostumar e passa a exigir doses maiores para ter o mesmo efeito.
Ainda em relação a drogas que combatem sintomas dos ataques de
pânico, podemos citar os beta-bloqueadores (inderal, Propranolol) que diminuem a taquicardia que em alguns pacientes parece ser o pior dos sintomas.
De qualquer forma a melhor pessoa para indicar e acompanhar seu tratamento, do ponto de vista medicamentoso, é o psiquiatra. Desa-
conselhamos a auto-medicação, pois qualquer medicamento tomado
de forma incorreta pode ser mais prejudicial do que benéfico.
Uma outra razão importante para procurar um médico que conheça o problema é que ele poderá orientar quanto à investigação do seu pro-
blema procurando descartar outras condições clínicas que possam causar sintomas parecidos com um ataque de pânico. Entre as várias
patologias que devem ser decartadas podemos citar:

Doenças Endócrinas(hipertireoidismo, feocromocitoma, etc.)
Doenças Cardiovasculares (Infarto do miocárdio, arritmias,PVM.
Doenças respiratórias (asma brônquica, hipoxia, etc.)
Doenças neurológicas (tumores cerebrais, epilepsia, cefaléias.
Disfunções metabólicas (acidose, desidratação, etc.)
Intoxicação por drogas (cocaína, anfetamina, cafeína, álcool,etc.)
Síndrome tensão pré-mestrual
Muitas vezes não há necessidade de se realizar dezenas de exa-
mes laboratoriais bastando um bom histórico clínico para que o
médico possa descartar certas doenças.



PSICOTERÁPICO - Focado no enfrentamento das fobias da técnica da terapia cognitiva comportamental, no qual limita o paciente em vá-
rias áreas. Depois um enfoque profundo na psicodinâmica indepen-
dente da linha psicológica, elaborando as mudanças de alguns com-
portamentos inadequados. O paciente precisa redimensionar alguns conteúdos da personalidade, tais como: perfeccionismo, controle das situações, poder, centro das atenções, workaholic, auto crítica exa-
cerbada... No processo psicoterápico a pessoa precisa trabalhar as complicações da doença para que sinta mais segurança e equilíbrio no dia a dia.
Não deixe de procurar um médico. Não tome medicamentos por conta própria.

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